Nossa história

“É caminhando que se faz o caminho.”

O BENEDITO – Grupo de Pesquisa em Ditos, Provérbios e Linguagem Proverbial não surgiu inicialmente como um grupo formalizado, mas como uma pergunta de pesquisa. Sua origem está vinculada ao interesse em compreender como os provérbios, as sentenças proverbiais e os saberes sapienciais circulam entre literatura, oralidade, memória coletiva, tradução e cultura popular.

1. Uma pesquisa que deu origem ao grupo

O ponto de partida do Benedito encontra-se na tese de doutorado de Leonardo Lúcio Vieira-Machado, defendida em 2023 no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Espírito Santo (PPGL/Ufes). Intitulada “Os negros cabindas, os mais inteligentes e os mais bonitos”: uma análise comparativo-tematológica entre Provérbios de Carolina Maria de Jesus e provérbios da filosofia tradicional de Cabinda, a pesquisa articula Tematologia e Paremiologia a partir da análise comparativa entre os provérbios de Carolina Maria de Jesus e a coleção proverbial cabinda registrada pelo padre espiritano José Martins Vaz (1970).

Ao aplicar o Sistema Internacional de Tipos de Provérbios de Matti Kuusi, a tese insere os provérbios de Carolina e os provérbios da filosofia tradicional de Cabinda no panorama internacional dos estudos paremiológicos, propondo também um mapa comparativo-tematológico entre diferentes matrizes culturais da proverbialidade.

Mais do que um estudo sobre provérbios, a pesquisa passou a compreender a proverbialidade como espaço de memória, ancestralidade, experiência social e elaboração crítica da vida cotidiana. A partir desse horizonte, surgiram as primeiras bases epistemológicas do que posteriormente se consolidaria como o Benedito.

2. A Iniciação Científica como primeiro núcleo

Em 2024, já após a defesa da tese, foi criado o projeto de pesquisa Provérbios e Sentenças em Linguagem Proverbial, registrado na PRPPG/Ufes. Com a abertura do edital PIIC 2024–2025, o projeto passou a acolher subprojetos de graduação e formou seu primeiro núcleo discente de pesquisa.

Os estudantes Eliel de Souza Nogueira e Raiane Oscar de Assis Silva tornaram-se os primeiros orientandos vinculados diretamente a essa linha de investigação. Seus trabalhos concentraram-se na proverbialidade presente na obra de Carolina Maria de Jesus, na identificação de Sentenças em Linguagem Proverbial (SLPs) e na classificação dessas estruturas segundo o Sistema Internacional de Tipos de Provérbios de Matti Kuusi.

Esse momento foi decisivo porque permitiu que a pesquisa deixasse de ser apenas um percurso individual e passasse a constituir um espaço coletivo de formação acadêmica, produção científica e circulação de conhecimento.

Ao mesmo tempo, começaram a ganhar força temas que hoje caracterizam o grupo: a relação entre proverbialidade e literatura, os estudos comparados, a tradução intermodal Libras–Português, a acessibilidade, a oralidade e os diálogos entre linguagem, cultura e experiência social.

3. A circulação nacional e internacional

Ainda em seus primeiros anos de formação, as pesquisas vinculadas ao futuro Benedito passaram a circular em eventos acadêmicos nacionais e internacionais.

Resultados parciais dos estudos desenvolvidos na Iniciação Científica contribuíram para apresentações no Congresso Nacional de Estudos Linguísticos (Conel/Ufes), na Jornada de Iniciação Científica da Ufes e também para a participação no 19º Colóquio Interdisciplinar sobre Provérbios (ICP25), realizado em Tavira, Portugal.

A inserção nesse circuito internacional aproximou o grupo das discussões contemporâneas da Paremiologia, ampliando o diálogo com pesquisadores de diferentes países e fortalecendo o interesse pelas relações entre proverbialidade, tradução, literatura, oralidade e cultura visual.

Nesse processo, a Libras passou a ocupar um lugar cada vez mais central nas investigações do grupo, não apenas como instrumento de acessibilidade, mas como língua capaz de recriar, traduzir e ressignificar estruturas proverbiais em modalidade visuoespacial.

4. A certificação do Benedito

O crescimento das pesquisas, a permanência dos estudantes, a produção acadêmica e a circulação em eventos criaram as condições para a formalização institucional do coletivo.

Em 18 de dezembro de 2025, após solicitação formal à Universidade Federal do Espírito Santo, o BENEDITO tornou-se oficialmente um grupo de pesquisa certificado pelo CNPq.

Desde sua origem, o grupo reúne pesquisadores interessados nos estudos da proverbialidade, dos ditos populares, das Sentenças em Linguagem Proverbial, da tradução intermodal, da literatura, da cultura popular, da oralidade e das relações entre linguagem e memória social.

O nome “Benedito” também dialoga simbolicamente com a presença das vozes populares, das tradições orais e dos saberes transmitidos entre gerações, elementos que atravessam as pesquisas desenvolvidas pelo grupo.

5. O grupo hoje

Atualmente, o Benedito reúne graduandos, mestres, doutores e pesquisadores de diferentes áreas e instituições, consolidando-se como um espaço coletivo de pesquisa, formação, produção científica e intercâmbio acadêmico.

Além das pesquisas em Paremiologia e Sentenças em Linguagem Proverbial, o grupo desenvolve estudos relacionados à tradução Libras–Português, literatura comparada, semiótica, oralidade, cultura popular e acessibilidade.

O grupo também mantém participação em eventos científicos, reuniões de estudo, projetos de Iniciação Científica e ações de divulgação acadêmica, fortalecendo redes nacionais e internacionais de pesquisa.

Mais do que um ponto de chegada, o Benedito permanece como um espaço em construção — movido pela escuta, pela troca de experiências e pela compreensão de que os provérbios, os ditos e as sentenças proverbiais continuam vivos porque as experiências humanas continuam precisando ser compartilhadas.

"Vozes antigas, novos saberes."

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