Provérbios em Libras
“Quem espera da mão alheia, mal janta e pior ceia.”
"A bom entendedor, piscadela de olho é mandado."
Provérbios como “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”, “Em boca fechada não entra mosca”, “Quem com ferro fere, com ferro será ferido” e “Para bom entendedor, meia palavra basta” são amplamente reconhecidos e utilizados no Brasil. Embora formados por palavras simples e imagens concretas, esses dizeres não se esgotam em seu sentido direto. Cada um deles mobiliza metáforas, valores culturais, experiências coletivas e formas de interpretação que vão muito além da soma de seus termos.
É justamente nesse ponto que se evidencia a complexidade da tradução. Assim como ocorre entre línguas orais, a tradução literal desses provérbios para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) tende a não fazer jus à profundidade de sentidos que eles propõem. Traduzir provérbios implica compreender seus usos, seus contextos e suas implicações culturais, para então recriá-los por meio de recursos visoespaciais, corporais e expressivos próprios da Libras, preservando sua força metafórica e sapiencial.
É com esse cuidado silencioso que o Benedito se aproxima desses dizeres. Observando como circulam, como ganham forma, como se transformam ao passar de mão em mão, de geração em geração, de língua em língua. Mais do que concluir, o grupo prefere acompanhar o percurso das palavras e dos gestos, deixando que a curiosidade conduza a investigação e que cada tradução permaneça aberta, como os próprios provérbios: sempre dizendo mais do que parecem dizer.
É nesse acréscimo de sentidos, entre palavras e corpo, que a investigação começa.
